segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Entre cores e ilusões
Eu tenho vontade de dizer alguma coisa,
Mas nem sempre as pessoas estão dispostas a ouvir.
Eu sei que digo as maiores besteiras,
Sei quem nem todo mundo quer falar
De sapos, pássaros ou borboletas...
Que nem todo mundo gosta de antropologia,
Ou quer me ver recitando Tabacaria.
Nem todo mundo diz qualquer coisa,
De qualquer forma,
A qualquer hora,
Num lugar qualquer.
Sei que nem todo mundo sente falta de um abraço,
De ouvir a voz de uma pessoa
Que tenha sido importante em algum dia,
Em algum lugar, ou lugar algum.
Que nem todo mundo tem tempo para pensar no outro,
Nem todo mundo gostaria de rever alguém que passou.
Nem todo mundo quer acordar com o telefone chamando
E do outro lado ouvir alguém chorando.
Eu penso isso e fico lembrando
De meus amigos falando a meus ouvidos
Para eu ver maldade no mundo,
E que tenho que aprender a caminhar sozinha...
E quando eu penso, eu tenho medo,
Sei que enlouqueceria, pois por mais que eu goste
De pássaros e borboletas
Eu não saberia falar com eles.
Eu tenho medo de meus absurdos,
De minha ingenuidade para com o mundo...
Eu tenho medo da rejeição,
De receber um não,
De não ver mais meus amigos da faculdade,
De deixar de gostar antropologia,
De acordar sem luz nos meus olhos,
Sem voz na minha boca,
Eu tenho medo da solidão.
Da amargura de meus dias de pranto.
Tenho medo de esquecer o passado em que fui feliz.
Eu tenho medo de decepcionar o mundo,
De fazer minha mãe sofrer...
Eu tenho medo de ser inteligente e achar que tenho a resposta.
Pior, a resposta certa!
Eu tenho medo de dizer o que alguém devia fazer...
Eu tenho medo de não ter medo!
Escrito por Cicinha Andrade em 05 de Dezembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
"O Outro"
Deu vontade de escrever uma coisa, então escrevi qualquer coisa, pensei essa besteirinha, um devaneio!!!
"O outro"
Quem é esse outro que em mim se faz tão importante?
O outro não sou “eu”, nem precisa ser alguém igual a mim.
Não é reflexo,
Nem projeção;
O outro é o outro,
Não é o covarde,
O errado...
O diferente de tudo!
O inferior.
É o outro,
É ele mesmo.
É meu deslocamento,
Minha alteridade
Minha visão fora e dentro de mim...
Eu também sou um outro,
O outro também um eu...
Eu e o outro, ou o outro e eu
É como um “Eu e Tu”,
É como um “Tu e Eu”...
domingo, 17 de outubro de 2010
As Máscaras
As Máscaras
O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...
Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!
Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar
e , em verdade, toda razão do amor
está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.
Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento,
desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o
de estrelas.
Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre
para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão
se pressentires que amanhã estarás mudo
esgota, como um pássaro, as canções que tens
na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e
de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo.
Rumo do céu?
Que importa a rota.
Voa e canta enquanto resistirem as asas.
sábado, 25 de setembro de 2010
Traduzindo-me
No meu peito
Uma crença
Uma busca,
O desejo...
No meu silêncio,
Nenhuma certeza.
O desespero,
Meu acalento.
Minha crise!!
Na minha alma,
A dúvida,
O preço.
Mas que preço?
Novamente o desejo.
Que fizera eu de tão grave,
De tão desumano,
Que não tão meu,
Tão eu?
Escrito por Cicinha Andrade me 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Para uma dinâmica do pós-modernismo: Thomas S. Kuhn
Tentar estabelecer uma ligação entre a lógica pós-moderna e a filosofia epistemológica de Kuhn (1922-1996) não é trabalho assaz complexo. Daí que acho risível que a teoria dos paradigmas deste último não seja mais vezes associada à temática da “moral pós-moderna”... Mas veremos que a ideia de Kuhn de que não há uma “verdade”, mas sim várias “verdades”, tantas quantas as realidades científicas que se propõem representar por “modelos” determinados, se aproxima da noção de “pós-modernismo” filosófico que aparece tantas vezes associado às ideias de Michel Foucault e de Jacques Derrida.
Recentemente traduzido para o português nacional, a obra “A estrutura das revoluções científicas” (Guerra & Paz; edição original de 1962) constitui o testamento ideológico de Thomas Kuhn, e este é de tal maneira determinante que não se entende por que é que o citado trabalho só agora foi vertido para a nossa língua.
Como resumir a teoria epistemológica de Kuhn? Começaria por dizer que, para o mesmo, a ideia da existência de uma e só uma Verdade representada por um modelo científico unitário e objectivo, não passa de mera ilusão. Na realidade a ciência é feita de modelos e estes são construídos, em grande parte, pela realidade interna, inextrincavelmente cultural, temporal e multidimensional, do próprio cientista ou grupo restrito de cientistas. Pois a noção de “paradigma” é precisamente a de um código interpretativo da realidade face a um conjunto de leis específicas, sendo que esse mesmo modelo é considerado como sinónimo da própria Verdade. Mas, como vão surgindo novos problemas, e como alguns desses problemas não podem ser resolvidos ou interpretados à luz do código paradigmático prévio e dominante, é inevitável que um novo paradigma acabe por surgir, após uma fase de “revolução científica”. Tudo para que um novo modelo de “ciência normal” volte a imprimir a interpretação da realidade segundo o protótipo novo, que passou a ser o dominante.
A teoria dos paradigmas releva o mundo da ciência como um conjunto de realidades que se vão sucedendo e substituindo, sendo que, por se interpretar a “última” realidade como a real e dominante, se dá a ideia de que essa sucessão não existe e de que uma só visão objectiva do mundo persiste (e sempre persistiu).
O paradigma tem, na sua inerência, não uma tonalidade unionista verdadeiramente objectiva e falsificável, mas sim um contexto, um mundo de significações, que assenta no tecido de crenças de um cientista ou de uma comunidade de cientistas. E, mesmo havendo paradigmas progressivos que sucedem a outros antigos que perderam a capacidade de resolver certos problemas (aparentemente novos), os antigos paradigmas tendem muitas vezes a persistir através da prática da negação da realidade dos novos problemas ou dos novos esquemas da realidade.
Só assim se entende que, por exemplo no mundo da saúde, tantos terapeutas se mantenham fiéis a práticas e modelos que não dão resultado no tratamento de patologias específicas, provavelmente tratáveis com mais eficácia segundo um modelo interpretativo mais ajustado. E só assim se entende, por exemplo, que um doente se mantenha anos a fio no divã de um psicanalista, persistindo este último em interpretar a realidade segundo um esquema (pós)freudiano, porque à luz desse esquema as coisas têm lógica (mas essencialmente para o próprio psicanalista), mesmo que um modelo cognitivo-comportamental surta mais resultados.
Ora, esta ideia que de não há uma ciência, mas sim várias ciências, ultrapassa a concepção simplista de que a realidade é plural e deve ser interpretada segundo uma prática quase “pessoana” (portanto heteronímica), acabando por abraçar o “pós-modernismo” filosófico, que vive das muldimensionalidades interpretativas e desconstrutivas (Derrida) das coisas. Eventualmente poderíamos chegar à interpretação da multimodalidade de modelos em saúde, como representativas de “relações de poder” (Foucault), mas isso seria complicar exageradamente as coisas...
Fiquemos pela ideia de que a existência de várias formas de interpretar a realidade leva a que, na prática, passem a existir tantas realidades quantas as interpretações existentes, pelo que o conceito de Verdade única e absoluta perde-se a favor de uma ciência vertida pela fenomenologia do acto único, livre e singular.
Por causa desta “singularidade”, a ciência feita de estudos qualitativos e descrições psicossociológicas acaba por ser legitimada, abrindo todo um capítulo gigante de subjectivismo de protótipos, para além da inalienável realidade da fraude científica. Daí que, mais uma vez, ciências como a psicologia, a sociologia e a antropologia não possam nunca merecer o mesmo respeito que as ciências exactas e observacionais. Enquanto fisioterapeuta que sou, temo ter de admitir que as ciências médicas estão a aproximar-se cada vez mais das primeiras, fazendo uso de métodos crescentemente questionáveis e pseudo-científicos.
Publicado no As Artes Entre As Letras, 10/02/2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Um ponto de vista sobre o trabalho antropológico
É uma tendência humana pensar que somente nós sabemos e podemos falar sobre as coisas, sobre o mundo dos outros. Quando não atribuímos esse papel a nós mesmos, no mínimo, o designamos a alguém cujo consideramos capacitado para tal coisa. Ignorância nossa, ninguém pode falar sobre o mundo do outro de forma tão precisa quanto ele mesmo.
Pensar sobre essa questão é colocar em debate uma discussão antropológica importante. Chamo a atenção para isso, porque estou iniciando meus trabalhos de campo partindo do método antropológico. Este valoriza antes de qualquer coisa a própria fala do sujeito (isso é fascinante). Longe de mim, achar que o que eu li antes de vir a campo, e li muita coisa sobre a área que pesquiso me é o suficiente para interpretar o mundo empírico com o qual eu pretendo trabalhar. Longe de mim, querer enquadrar essas práticas sociais dentro de uma teoria como se eu estivesse falando alguma verdade, como se eu fosse a cientista social (antropóloga) que soubesse como organizar, controlar o meu campo, o mundo do outro que não o meu próprio.
Como é difícil ser tal coisa, ou melhor, aspirante de. Ser ou tentar ser antropóloga,é antes e acima de tudo, reconhecer tal humildade, pois, não somos nós técnicos treinados para pensar a verdade sobre um dado mundo empírico. Somos pessoas comuns, com limitações. De forma que nossas lentes mesmo teóricas nos enganam, nos cegam, ou seja, trabalhamos em meio à imprecisão. Somos tanto quanto as outras pessoas humanas, carregadas de subjetividade, desejo, preconceito...
Não quero a partir desse discurso “matar a ciência”, ou dizer, que cientista social não faz ciência, lógico que não é isso, até porque, sou muitíssimo apaixonada pelo que faço, acredito nas ciências sociais. O que exponho se apresenta como uma maneira de me policiar, meu propósito é refletir, é refletir sobre sua limitação. Pois, não se deve acreditar cegamente em nada, nem mesmo na ciência para quem acha que é isso uma grande descoberta. Não é ela a única forma de conhecimento válido. Logo o cientista não é mais sábio que o homem que trabalha na plantação, o marceneiro que dá forma a madeira, o cozinheiro (a) que assa o bolo... "O cientista não sabe mais sobre política que o cidadão comum". O que existe são formas diversificadas de conhecimento, são maneiras diferenciadas de entender, de compreender o mundo, o mundo que não de outro, mas o nosso próprio.
Nesse caso, qual seria o papel da ciência e do antropólogo? O que faz a antropologia? Sobre a ciência (a ciência social), o que posso dizer, é que ela não controla nem organiza nada, nem deve ter isso como pretensão. Como ciência antropológica, se utiliza de elementos teóricos para pensar o mundo empírico. Porém, sem tentar enquadrá-lo dentro de teorias. Dialoga, conversa com o campo, se coloca dentro do campo. Ela impulsiona os sujeitos pesquisados a pensar sobre seu próprio cosmo (mundo). A antropologia reconhece e se alicerça sobre a teoria nativa. Pensa o campo a partir do campo. Seu papel é traduzir o que e como pensam os atores sociais. Entendendo suas práticas como algo que não se repete da mesma forma em diferentes contextos. Mas que acontece de tal maneira em dados espaços, porque, as experiências dos sujeitos, suas vivências se diferenciam de tantas outras em tantos outros lugares.
São nas particularidades de cada cultura que antropologia se permite ser antropologia (lembrando: isso na sua perspectiva pós-moderna. Longe de pensarmos como Lévi- Strauss e seu estruturalismo, porém, sem negar sua contribuição que é muito válida para a antropologia). É, não vou mais citar ninguém agora, deixarei para citá-los em artigos, senão vou querer citar tanto, já que gosto tanto e de tantas coisas que esse texto vai parecer mais um artigo, e isso não é a intenção.
Voltemos, e o antropólogo, o que faz? Na tentativa de ser ou tentar ser tantas outras coisas, a meu ver, ele só pode ser o tradutor da fala do outro, o interprete de uma teoria (isso é lindo)!!! Como se sabe e se diz muito; “toda tradução é imprecisa”, (isso é feliz)! A antropologia é, e isso é apenas mais um ponto de vista de uma aspirante à antropóloga (estudante de antropologia política), um olhar, outro olhar sobre esse outro, uma segunda leitura, e aí me vem Geertz, (desculpem-me mais uma vez, difícil não teorizar). É outra visão, e assim sendo, ora somos cegos pela luz intensa, outrora impedidos de ver na escuridão, (isso se fortaleceu em mim a partir da fala de minha amiga Fabi, antropóloga mestranda da UFBA – Universidade Federal da Bahia).
Escrito por Cicinha Andrade em 15 de agosto de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
- Álvaro de Campos
- POEMA EM LINHA RETA
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A palavra e a sua relação com o “eu”
Estava conversando com um amigo muito querido no MSN (pra mim um momento de lazer). E ele sempre muito interessado pela minha vida, o como eu estou, melhor pela minha felicidade. Como me diz: está sempre na torcida por mim. Isso me faz tão bem, tão bem, até porque a gente acredita na gente, porque tem sempre alguém que acredita tanto quanto nós. Perguntou-me se podia saber sobre meus planos profissionais e pessoais.
Não nos conhecemos ao vivo e a cores. Entretanto, construímos uma relação de amizade, de alteridade muito forte e feliz. Gosto muito como ele me vê. Talvez, talvez não, sem dúvida, ele me ver além do que eu sou. Ele vive dizendo que gosta muito de mim, da minha pessoa, e isso porque eu também gosto de mim, e não me esquivo de mostrar isso. Muitas pessoas podem até me achar metida por causa disso, e sei que algumas assim pensam. Mas que nada, minha intenção não é esta, eu é que não sei ser feliz sozinha!Então, demonstro e demonstro muito.
Mas aí que me preocupo com o como ele me ver, não quero decepcionar pessoas que gosto, porém, esse é sempre um risco. A imagem que criamos de nós mesmos, nos impõe um caminho, caminho que tem que agradar não só a nós, mas também aos outros, aqueles que parecem acreditar mais em nós que nós mesmos. Às vezes fico sem jeito e com medo, porque no fim, sou apenas mais um ser humano potencialmente humano, e que por momentos pareço esquecer-me de tal fundamento. Mas sei, não sou só eu que sofro disso.
A pergunta aqui é: quem sou eu enfim?Será que sou uma menina/mulher de pé no chão? Talvez!
Eu não posso estar além de mim. E esse mim, só pode ser meu eu, um eu ora esquecido ora lembrado, às vezes transparente, escondido, legível e ilegível, sei lá! Que quando não noutro lugar. Está cá dentro de mim...
Igual a muita coisa, a muita gente; sou caso, acaso, papel rabiscado!!
É, mas deixa-me voltar a pergunta de meu amigo em relação a meus planos profissionais e pessoais. Respondi para ele que já era muito feliz. Mas que profissionalmente quero um mestrado. Esqueci de dizer que quero também um doutorado, dar aula na universidade, ser pesquisadora, escrever, escrever muito, que quero palestrar, viajar. Referindo-me a meus planos pessoais, falei que isso não dependia só de mim, rs, acho que isso é coisa de gente que é solteira!
Então disse que quero encontrar um tu para meu eu!Acho que não é nem encontrar, talvez perceber, ou ser percebida. Disse ainda, que quero um filho, mas isso é coisa para mais para frente. Filho exige tempo, dedicação, presume uma certa estabilidade e eu ainda sou aluna de graduação.
Não tem aquela historinha de uma árvore, do livro e do filho? A árvore eu já plantei e eis de plantar outras, escrever um livro não será algo tão difícil de ser realizado, então disse que quero um filho. Conclui dizendo que quero ser feliz sem medo de ser feliz! Mas que se conseguisse parte disso já seria muito feliz!
Ele me respondeu perguntando, se eu tinha me tocado de quantas vezes eu havia dito a palavra feliz, aí eu fui contar. Disse quatro vezes. Ele disse que com certeza essa palavra tinha um sigficado importante para mim.
Despedimo-nos, dizendo uma frase ritual até: adoro você, viu?Geralmente ele diz primeiro. Eu respondo: também adoro você!
Pronto, fechei meu mundo virtual, não por isso irreal, e fiquei pensando sobre isso. Mais tarde deitei-me sobre a cama, peguei meu instrumental preferido (papel e caneta com quem tenho uma relação de profunda intimidade) e comecei a deslizar a caneta sobre as linhas. Pus-me a refletir sobre o enunciado das palavras. Pensei no momento, e ainda penso, que elas não só expressam sentidos, mas que também os impulsionam. Quando digo: “Q feliz”, e digo muito isso, o enunciado não só representa um estado de alguma coisa ou de uma pessoa. Vai muito além, expressa o desejo de uma realidade presente que se projeta para o futuro. E assim, a palavra passa a agir sobre nós e não só nós sobre ela. Se na minha linguagem tanto escrita como falada enunciações, como: “q feliz! Amo! q saudade! q lindo!”, aparecem tanto, é porque, entre eu e a palavra se construiu uma relação, e esta passa a ter certo poder sobre meu estado de espírito. De forma que é fala externa e intrínseca.
O que posso dizer, além disso, e digo isso de maneira feliz, é que de uns tempos para cá, tendo em vista essa relação com minha própria fala, estou muito melhor, muito mais feliz, feliz!!!
Escrito por Cicinha Andrade em 13 de Julho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
O Desespero Humano
Liberdade é um discurso fundante da filosofia existencialista de Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger e Sartre. Incrível é o que dizem suas teorias filosóficas: o homem é um projetar-se no mundo, este um despertar de possibilidades, foi condenado a ser livre.
Fica posto aqui que a liberdade existe. Difícil é pensá-la sociologicamente no espaço das coerções em que a moral nos constrói, faz nos ser o que somos. Isso fecha demais o discurso, parece pôr a sociedade como um espírito que baixa sobre os sujeitos sem chance de fuga, eis Durhkeim. Pensar a idéia de liberdade é pensar sobre esses e muitos outros discursos. Se fomos jogados no mundo, condenados a ser livres como pressupõe o existencialismo, que somos enfim, livres ou presos?
A filosofia de que se trata aqui é grande crítica da moral, da prisão social. Para ela a essência humana é a própria liberdade, no espaço mutável das coisas, ela é a única que não muda. É ela, porque mesmo diante de coerções os indivíduos podem escolher senão um caminho, mas como percorrer este caminho, é como um ator que interpreta um papel, tem um script, mas ele pode mesmo diante do papel que lhe foi determinado escolher como representar.
Diante dessa discussão a liberdade numa perspectiva filosófica e a prisão social num viés sociológico - parêntisis – parece um embate. Mas eis que chegamos a uma discussão interessante. Posta por esses filósofos, pode-se ter uma vida autentica ou inautêntica (Heidegger, Sartre). Autenticidade, inautenticidade como bem as coloca eles, é escolha, se vive de maneira autentica quando se reconhece essa liberdade, quando o indivíduo se dá o direito de escolher aquilo que de fato ele deseja, já um viver inautêntico, é se deixar levar pelo mundo das coerções, em que o social domina.
Deixo explicado aqui. De forma alguma a liberdade pensada por estes gigantes da filosofia existencialista presumem libertinagem, assim como, no pensamento sociológico a escolha, a liberdade implica responsabilidade, pois, o limite da liberdade de um é a liberdade de outrem e isso presume consciência de ambos, esta é o instante em que o indivíduo se dá conta das coerções a que pode estar sujeito e da liberdade como sua essência para escapar delas.
Então posso dizer: fui condenada a ser livre, penso eu, e agora o que eu faço? Eis o mundo das coerções que me toma para si, o medo de ficar à margem, o medo do julgamento. Eis o espaço de minhas escolhas, e agora o que eu sou, sujeito autentico ou inautêntico? Será eu o desequilíbrio entre os dois? Será minha prisão o lugar da minha liberdade? Ou será minha liberdade o lugar de minha prisão? Eis Sören Kierkegaard, eu sou a crise entre o estar livre e o estar preso, a angústia. Estou diante do desespero humano.
domingo, 6 de junho de 2010
Dúvidas
Será que pertenço?
Pertencer, ser
estar...
Aonde será que estou?
Será que estou?
perto, longe...
em mim, talvez!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Um presente de aniversário, infinita felicidade! Amo tu Rutinha , minha amiga, minha irmã...
Amiga...
Pessoas como você, não se define, mesmo que algumas pessoas chamem de amiga, ou filha, ou neta, ou sobrinha, ou "dita cuja", ou irmã, enfim, isso são apenas tentativas de encaixá-la dentro do que alcança a racionalidade humana, que de tão limitada sempre precisa de significações, rótulos, traduções. Não dá definir pessoas como você, pq simplesmente não existem palavras para tal intento.
Pessoas como você, apenas se auto-definem, são “auto-definíveis”, são o que são, sem explicações, sem "signos", sem rótulos. São verdadeiramente pessoas/humanas, no sentido mais sublime de ser e existir.
Mas se é pra definir, que seja:
Você é verdadeiramente linda...
Lindamente verdadeira, fiel, leal...
Intensamente sensível, honesta, corajosa...
Incrivelmente inteligente, poderosa, valiosa...
Insubstituivelmente amiga, filha, pessoa...
Sabiamente sutil, sincera, generosa, humilde...
Ama amar, ama o amor, ama o amado, ama ser amada, e acredite, é. De diferentes, formas, jeitos, por diversas pessoas (inclusive por mim).
E se fosse para rotulá-la, colocaria em você, o rótulo de minha irmã, minha irmã branca,
De alma, de espírito, de vivências, de segredos, de vida.
Amo você com todos os sentimentos que há em mim, e fazendo assim ser recíproco, enquanto em mim eles existirem.
Parabéns!
Te amo-te!
Da Preta ( vulgo Ruth).
