*À meus amigos cientistas sociais
Eu tenho vontade de dizer alguma coisa,
Mas nem sempre as pessoas estão dispostas a ouvir.
Eu sei que digo as maiores besteiras,
Sei quem nem todo mundo quer falar
De sapos, pássaros ou borboletas...
Que nem todo mundo gosta de antropologia,
Ou quer me ver recitando Tabacaria.
Nem todo mundo diz qualquer coisa,
De qualquer forma,
A qualquer hora,
Num lugar qualquer.
Sei que nem todo mundo sente falta de um abraço,
De ouvir a voz de uma pessoa
Que tenha sido importante em algum dia,
Em algum lugar, ou lugar algum.
Que nem todo mundo tem tempo para pensar no outro,
Nem todo mundo gostaria de rever alguém que passou.
Nem todo mundo quer acordar com o telefone chamando
E do outro lado ouvir alguém chorando.
Eu penso isso e fico lembrando
De meus amigos falando a meus ouvidos
Para eu ver maldade no mundo,
E que tenho que aprender a caminhar sozinha...
E quando eu penso, eu tenho medo,
Sei que enlouqueceria, pois por mais que eu goste
De pássaros e borboletas
Eu não saberia falar com eles.
Eu tenho medo de meus absurdos,
De minha ingenuidade para com o mundo...
Eu tenho medo da rejeição,
De receber um não,
De não ver mais meus amigos da faculdade,
De deixar de gostar antropologia,
De acordar sem luz nos meus olhos,
Sem voz na minha boca,
Eu tenho medo da solidão.
Da amargura de meus dias de pranto.
Tenho medo de esquecer o passado em que fui feliz.
Eu tenho medo de decepcionar o mundo,
De fazer minha mãe sofrer...
Eu tenho medo de ser inteligente e achar que tenho a resposta.
Pior, a resposta certa!
Eu tenho medo de dizer o que alguém devia fazer...
Eu tenho medo de não ter medo!
Escrito por Cicinha Andrade em 05 de Dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
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