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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nossa Lente

Com que lente eu olho? Com que lente eu vejo? E o que eu consigo enxergar?

A nossa lente na perspectiva aqui apresentada são nossos referenciais, aquilo que aprendemos no decorrer de nossa formação, de nossas vivências. Entretanto, isso não significa que olhamos para as coisas, para o mundo com olhar descontaminado. Pelo contrário, podemos apenas estar vendo-as sem conseguir de fato enxergá-las.

O mundo ideologizado a que estamos sujeitos condiciona excessivamente a nossa forma de percepção. De maneira, que podemos olhar para as coisas e acharmos que a idéia que temos delas é coerente, isso é algo normal. Mas devemos refletir sobre o porque de as compreendermos de tal forma, pensar sobre o que está por trás.

A idéia de lente contaminada não cabe somente a pessoas ditas “não esclarecidas” ideologicamente. Numa reflexão minha, penso eu, que até mesmo nós os tidos intelectuais em potencial às vezes nos envenenamos com certas coisas. O mundo comum é parte da gente, estamos todos imbuídos e dissolvidos nele. Teorias sociais são apenas formas pelas quais buscamos interpretar contextos. E essa interpretação é limitada, ao passo que apenas pode ser aproximar da realidade estudada, nunca estabelecer uma verdade. Nessa interpretação acompanha todas as nossas dificuldades de compreensão, porque para entender as coisas, a cultura, temos que saber lidar com duas situações contrárias, a empatia e apatia, não é só olhar como se fosse um deles (nativo da cultura em questão), o que a meu ver é impossível, não tem como nos desvincularmos completamente do nosso mundo. Mas tentar manter um equilíbrio entre as duas situações. Somos muitas vezes os que vieram de fora, os que vêem com outros referencias, olhamos as coisas com lentes específicas, não por isso, melhores.

Ver, olhar, enxergar são três coisas próximas e distantes. Pode-se muito bem olhar para dadas coisas e não conseguir vê-las, e vê-las sim, mas numa perspectiva de meramente reconhecê-las, e não conseguir enxergá-las numa propensão de percebê-las, de compreender seus significados mais profundos .Entretanto, cada um enxerga aquilo que seus referenciais condicionam. Julgá-los se certos ou não é uma questão um tanto emblemática, principalmente, devido a teoria do relativismo(rs), em que tudo é questão de ponto de vista. Legal isso! Não existe uma verdade única a ser mostrada, não pode haver, pois, um discurso universal. Mas, não é somente essa a questão aqui. O que chamo a atenção é para até que ponto compreendemos realmente as coisas. Até que ponto não somos mais um ideologizado ou deseologizado em função de alguma coisa, de dados interesses que não os nossos?Até que ponto não somos prisioneiros de nós mesmos?Até que ponto não somos “cegos saudáveis”?

Às vezes penso eu que um olhar crítico sobre o mundo, não seja o suficiente para ser consciente, pois mesmo conscientes podemos ser incoerentes. Porque o que pode ser entendido de tal forma, pode não ser. Acredito muito também na sensibilidade, pois ela nos permite, não só enxergar as coisas, vai muito além, faz-nos sentí-las.

São apenas reflexões, podem ser absurdas, não sei, você decide!


Escrito por Cícera Andrade ( Cicinha) em 11 de maio de 2010.

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