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sábado, 12 de junho de 2010

O Desespero Humano


Liberdade é um discurso fundante da filosofia existencialista de
Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger e Sartre. Incrível é o que dizem suas teorias filosóficas: o homem é um projetar-se no mundo, este um despertar de possibilidades, foi condenado a ser livre.

Fica posto aqui que a liberdade existe. Difícil é pensá-la sociologicamente no espaço das coerções em que a moral nos constrói, faz nos ser o que somos. Isso fecha demais o discurso, parece pôr a sociedade como um espírito que baixa sobre os sujeitos sem chance de fuga, eis Durhkeim. Pensar a idéia de liberdade é pensar sobre esses e muitos outros discursos. Se fomos jogados no mundo, condenados a ser livres como pressupõe o existencialismo, que somos enfim, livres ou presos?

A filosofia de que se trata aqui é grande crítica da moral, da prisão social. Para ela a essência humana é a própria liberdade, no espaço mutável das coisas, ela é a única que não muda. É ela, porque mesmo diante de coerções os indivíduos podem escolher senão um caminho, mas como percorrer este caminho, é como um ator que interpreta um papel, tem um script, mas ele pode mesmo diante do papel que lhe foi determinado escolher como representar.

Diante dessa discussão a liberdade numa perspectiva filosófica e a prisão social num viés sociológico - parêntisis – parece um embate. Mas eis que chegamos a uma discussão interessante. Posta por esses filósofos, pode-se ter uma vida autentica ou inautêntica (Heidegger, Sartre). Autenticidade, inautenticidade como bem as coloca eles, é escolha, se vive de maneira autentica quando se reconhece essa liberdade, quando o indivíduo se dá o direito de escolher aquilo que de fato ele deseja, já um viver inautêntico, é se deixar levar pelo mundo das coerções, em que o social domina.

Deixo explicado aqui. De forma alguma a liberdade pensada por estes gigantes da filosofia existencialista presumem libertinagem, assim como, no pensamento sociológico a escolha, a liberdade implica responsabilidade, pois, o limite da liberdade de um é a liberdade de outrem e isso presume consciência de ambos, esta é o instante em que o indivíduo se dá conta das coerções a que pode estar sujeito e da liberdade como sua essência para escapar delas.

Então posso dizer: fui condenada a ser livre, penso eu, e agora o que eu faço? Eis o mundo das coerções que me toma para si, o medo de ficar à margem, o medo do julgamento. Eis o espaço de minhas escolhas, e agora o que eu sou, sujeito autentico ou inautêntico? Será eu o desequilíbrio entre os dois? Será minha prisão o lugar da minha liberdade? Ou será minha liberdade o lugar de minha prisão? Eis Sören Kierkegaard, eu sou a crise entre o estar livre e o estar preso, a angústia. Estou diante do desespero humano.

Escrito por Cicinha Andrade em 12/06/10

2 comentários:

Acácio Silva disse...

Mto lindo Inha... tuas palavras são profundas... um bjaum

Fabi Viana disse...

Amei seu texto! Ele estimula inúmeras reflexões, e isso é muito bom!!!
Continue nos fazendo felizes com suas palavras!!!
Um beijo enorme!!!